Economia política global
FMI, Banco Mundial, OMC, dólar e cadeias produtivas: como a economia distribui poder entre países.
Bretton Woods e as instituições financeiras
Em 1944, EUA e aliados criaram o FMI (socorro a crises de balanço de pagamentos), o Banco Mundial (financiamento ao desenvolvimento) e as bases do que virou a OMC (regras de comércio). O poder de voto no FMI é proporcional à cota de cada país — por isso países emergentes cobram reforma da governança.
O dólar como moeda de reserva
A maior parte do comércio e das reservas internacionais é em dólar. Isso dá aos EUA um 'privilégio exorbitante': financiam déficits emitindo a moeda que o mundo demanda, e conseguem aplicar sanções financeiras eficazes. Debates sobre desdolarização (moedas locais no comércio, pagamentos em yuan, discussões no BRICS) tratam de reduzir essa dependência — um processo lento, não um evento.
Cadeias globais de valor
Um celular é projetado num país, tem chips de outro, montagem num terceiro e minerais de um quarto. Quem controla as etapas de maior valor (design, software, propriedade intelectual) captura mais renda. A pandemia e a guerra comercial trouxeram os termos reshoring (trazer produção de volta) e friend-shoring (produzir em países aliados).
O Brasil nessa engrenagem
- Exportador de commodities (soja, minério, petróleo, carne) e importador de bens industriais e insumos.
- Vantagem: segurança alimentar e energética, matriz elétrica majoritariamente renovável.
- Risco: dependência do ciclo de preços das commodities e da demanda chinesa.
- Agenda: acordo Mercosul–União Europeia, transição energética e agregação de valor à indústria.